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O que o agro brasileiro busca na Índia, país com baixo consumo de carne bovina
20/02/2026

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Missão oficial do governo federal com o presidente Lula desembarcou no país asiático nesta semana

Com o objetivo de negociar pautas que vão desde transição energética até minerais estratégicos, a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia e à Coreia do Sul também carrega, na mala, demandas do agronegócio. No caso do setor, os dois países asiáticos passaram a integrar o radar da comitiva brasileira por serem considerados estratégicos para a diversificação dos mercados dos frigoríficos, que ainda destinam volume reduzido de proteína animal a esses destinos.

Na Índia, país de mais de 1,4 bilhão de habitantes e com baixo consumo de carne bovina por motivos culturais e religiosos, o foco das negociações estará sobre a carne de frango brasileira. O mercado indiano está aberto do ponto de vista sanitário para a proteína brasileira, mas as tarifas falam mais alto: 100% para cortes e 30% para determinadas partes, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Para esta proteína, a entidade defende a criação de uma cota específica com tarifa reduzida ou zerada. Seria uma porta de entrada gradual, capaz de testar fluxo comercial e ampliar o cardápio disponível ao consumidor indiano, hoje concentrado sobretudo em proteínas locais.

Na carne suína, o cenário é semelhante. Apesar da habilitação sanitária, a tarifa de 26% limita os embarques. A ABPA também solicitará cotas diferenciadas ou revisão das alíquotas, especialmente em um momento em que regiões produtoras do norte da Índia enfrentam surtos de peste suína africana.

Já na Coreia do Sul, segunda parada da viagem, a discussão será mais técnica. O país reconhece atualmente a regionalização para influenza aviária por Estado do Brasil. A associação buscará avançar para o reconhecimento por município, o que reduziria embargos amplos e impacto econômico no setor.

Outro ponto central será o reconhecimento, pelo governo sul-coreano, de Estados brasileiros como livres de febre aftosa sem vacinação — condição já reconhecida internacionalmente. A habilitação de Rio Grande do Sul, Paraná, Acre e Rondônia abriria espaço para ampliar as exportações de carne suína, inclusive com osso e miúdos.

— Buscaremos, na ação liderada com o Governo Federal, apoiar avanços diplomáticos que gerem ganhos efetivos de acesso, previsibilidade regulatória e competitividade para a proteína animal brasileira — reforçou o presidente da ABPA, Ricardo Santin.


Fonte: GZH
Crédito de imagens: Banco de imagens Asgav