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Gripe aviária é detectada em granja comercial na Argentina; e o RS, como fica?
25/02/2026

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Doença foi confirmada em aves voltadas à reprodução comercial na localidade de Ranchos, província de Buenos Aires

Vizinha do Rio Grande do Sul, a Argentina confirmou na segunda-feira (23) um foco de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em granja comercial. O caso ocorreu em aves reprodutoras na localidade de Ranchos, província de Buenos Aires, a 800 quilômetros do município gaúcho de Barra do Quaraí, e reacende um alerta que, no Estado, na prática, nem chegou a ser desligado.

Em maio do ano passado, o RS registrou, pela primeira vez no Brasil, um foco da doença em granja comercial, em Montenegro, no Vale do Taquari. Apesar do foco ter encerrado um mês depois, os impactos econômicos, sobretudo nas exportações, ainda ecoam no setor.

A confirmação foi feita pelo Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria (Senasa). Segundo o órgão argentino, após o diagnóstico laboratorial positivo, foi acionado o plano de contingência, com interdição imediata da granja, criação de zona de perifoco de três quilômetros e área de vigilância de sete quilômetros, além do despovoamento das aves e da desinfecção completa do estabelecimento.

Para o Rio Grande do Sul, o episódio não altera protocolos, mas mantém o alerta.

— Estamos com essa preocupação ativa o tempo todo. Já convivemos com a influenza na América Latina. Está dentro do esperado — afirmou o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Fernando Groff.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), há registros recentes de influenza aviária no Uruguai, México, Peru e Brasil. O foco argentino ainda não constava no mapa oficial da entidade até o fechamento desta coluna.

No setor privado gaúcho, a reação foi imediata. A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) reativou comunicados de alerta a dirigentes, técnicos, produtores e ao serviço oficial.

— Estamos sempre em alerta, ainda mais o Rio Grande do Sul, que saiu no ano passado de uma situação que gerou muitos transtornos — afirmou à coluna o presidente da entidade, José Eduardo dos Santos.

Na carta encaminhada ao setor, a Asgav reforça a necessidade de manter e revisar protocolos de biosseguridade, intensificar a capacitação de integrados e atualizar planos de contingência. A preocupação central é preservar o status sanitário brasileiro — estratégico para garantir mercados internacionais, estabilidade das exportações e proteção da economia avícola. O Brasil é hoje o maior exportador mundial de carne de frango e um dos principais produtores e exportadores de ovos.

Entre as medidas reforçadas estão a inspeção periódica de telas antipássaros, controle rigoroso na entrada de veículos e insumos, desinfecção constante das instalações e restrição ao contato entre aves comerciais e silvestres.

Sobre a doença
A influenza aviária é uma doença viral que afeta aves domésticas e silvestres, com sintomas respiratórios, neurológicos e morte súbita.
Quando atinge granjas comerciais, impacta o comércio global do país afetado.
A transmissão para humanos é rara e não ocorre por meio do consumo de carne de frango ou ovos devidamente inspecionados.


Fonte: GZH
Créditos de imagem: Banco de imagens ASGAV