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Brasil mantém liderança nas exportações de carnes, mas precisa diversificar mercados
28/08/2026
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Salvaguarda chinesa, riscos sanitários e mudanças na demanda internacional aumentam a necessidade de novos destinos para a proteína brasileira.
O Brasil deve manter em 2026 a liderança mundial nas exportações de carne bovina e de frango, mas o cenário internacional exige atenção maior à concentração dos embarques em poucos mercados. A mudança no ciclo pecuário, as incertezas relacionadas aos grãos e as disputas comerciais entre grandes economias estão entre os fatores que devem influenciar as decisões de produtores e indústrias ao longo do ano.
A avaliação foi apresentada pelo analista de mercado sênior da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, durante webinar realizado na segunda-feira (24) pelo Sistema Faesc/Senar em parceria com a consultoria. O encontro discutiu as perspectivas de oferta e demanda para os mercados de carnes e leite e reuniu produtores, técnicos, dirigentes sindicais e representantes do agronegócio.
No mercado bovino, a China permanece como principal destino da carne brasileira, mas a adoção de uma salvaguarda pelo país asiático mudou o ritmo dos embarques. Depois de um primeiro semestre de volumes elevados, as exportações desaceleraram em julho, que registrou o pior desempenho do ano, segundo Iglesias.
O movimento contraria o padrão observado normalmente pelo setor. No segundo semestre, as compras chinesas costumam ganhar força com a formação de estoques para o período do Ano-Novo Lunar, quando o consumo de carne tende a aumentar.
Neste ano, porém, a definição de cotas pelo governo chinês para os principais fornecedores antecipou a disputa pelo mercado. Conforme o analista, houve uma corrida para garantir espaço dentro dos limites estabelecidos, tanto entre exportadores quanto entre importadores.
A concentração das vendas também aumenta a importância da abertura de novos destinos. Atualmente, a China responde por quase metade das exportações brasileiras de carne bovina. Japão e Coreia do Sul aparecem entre os mercados considerados prioritários para reduzir essa dependência.
Uma possível habilitação inicial de estados da Região Sul para exportar carne bovina ao Japão também pode criar oportunidades para Santa Catarina e outras regiões com reconhecimento sanitário. O avanço nesse mercado, no entanto, depende das definições de habilitação e dos requisitos exigidos pelo país asiático.
União Europeia entra no radar
Outro ponto de atenção está no mercado europeu. Segundo Iglesias, os embarques brasileiros de carne bovina para a União Europeia deverão ser suspensos a partir de 13 de setembro, o que acrescenta mais um elemento de pressão sobre a estratégia de comercialização do setor.
Para as carnes de frango e suína, o desempenho das exportações permanece elevado. O Brasil embarcou 505 mil toneladas de carne de frango em julho, um dos maiores volumes já registrados para o produto.
Apesar do ritmo das vendas externas, ainda há oferta significativa de carne de frango no mercado brasileiro. Nesse contexto, as exportações têm papel importante para retirar excedentes e contribuir para o equilíbrio entre oferta e demanda doméstica.
A receita obtida com os embarques de frango cresceu quase 20%, enquanto a carne suína apresentou alta de 6,7%. No setor de suínos, porém, julho trouxe uma redução na receita das exportações. Um dos fatores apontados foi o comportamento das Filipinas, importante comprador da proteína brasileira, que vem pagando valores inferiores aos registrados anteriormente.
Questões sanitárias podem mudar fluxo global
Além das condições comerciais, a situação sanitária dos principais países produtores permanece entre os fatores capazes de alterar o mercado internacional de proteínas.
Iglesias citou a influenza aviária, os casos de peste suína africana (PSA) registrados na Europa e na Ásia e ocorrências de febre aftosa em países como Rússia e China. Eventuais restrições decorrentes dessas enfermidades podem modificar os fluxos de comércio e criar oportunidades para fornecedores que apresentem maior segurança sanitária.
A demanda dos Estados Unidos, por sua vez, segue aquecida ao longo do ano, segundo a análise apresentada no encontro.
Diante desse cenário, a recomendação para a indústria brasileira é manter as exportações como uma das prioridades, ampliar o número de mercados compradores e investir na agregação de valor. A estratégia busca diminuir a exposição às oscilações provocadas pela dependência de poucos destinos.
Competitividade depende de segurança
Para o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Clemerson Argenton Pedrozo, o acesso a informações de mercado é fundamental para melhorar a tomada de decisões dentro das propriedades e das empresas.
Segundo ele, o reconhecimento internacional da qualidade da produção brasileira vem acompanhado de exigências cada vez maiores para os produtos nacionais. Nesse contexto, defendeu políticas públicas voltadas à segurança jurídica, ao acesso ao crédito e à manutenção da competitividade do setor.
A avaliação integra uma parceria entre o Sistema Faesc/Senar e a Safras & Mercado mantida pelo terceiro ano consecutivo. Os webinars são realizados a cada dois meses e abordam temas como cenário macroeconômico, custos de produção, comercialização e perspectivas para diferentes cadeias do agronegócio.
O próximo encontro está previsto para 26 de outubro, com análise do mercado de arroz apresentada pelo analista Evandro Oliveira. Em 15 de dezembro, o ciclo de 2026 será encerrado com uma avaliação dos mercados de milho e soja, conduzida por Paulo Molinari.
Fonte: Assessoria Sistema Faesc/Senar
Créditos de Imagem: Banco de Imagens ASGAV





