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Avicultores do RS fazem "gestão de crise" e demandam apoio
10/08/2026

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Produção vem sofrendo com condições climáticas adversas e sente efeitos das tensões geopolíticas globais

Avicultores do Rio Grande do Sul demandam apoio, diante de prejuízos causados por condições climáticas adversas. Ao mesmo tempo, fazem "gestão de crise" para amenizar perdas na atividade. É o que afirma o presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos.

"Há uma mudança global no clima. Este ano, não tivemos casos de influenza aviária em granja comercial, mas a régua da biosseguridade está sentindo esse efeito", diz o executivo, que conversou com a reportagem nesta semana, durante o Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs), em São Paulo.

Ele defende que o poder público execute políticas de apoio para ajudar na manutenção da atividade do setor. "Vamos buscar alternativas para amenizar os impactos e, ao mesmo tempo, buscar, com a ajuda dos governantes, políticas que possam dar fomento para seguir em frente."

Nesta semana, o Estado foi atingido por tempestades e tornados, que danificaram regiões de produção agropecuária. A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS-Ascar) relatou falta de energia em algumas localidades, o que dificultou a sua própria comunicação com os produtores.

Até a sexta-feira (7/8), as informações preliminares da Emater eram de danos a em estruturas de casas, galpões e armazéns. Em Pedro Osório, a força do vento destruiu instalações de um pecuarista. A estimativa da prefeitura é de que cerca de 150 propriedades rurais tenham sido atingidas.

Protecionismo e guerra também preocupam avicultores
O Rio Grande do Sul é um dos maiores produtores de carne de frango do Brasil, apontam os dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Em 2025, abateu 749 milhões de cabeças, 13,13% da produção nacional, atrás apenas de Santa Catarina (13,65%) e do Paraná (38,93%).

Na agroindústria, de 135 unidades frigoríficas de carne de aves com Selo de Inspeção Federal (SIF) no Brasil, 21 estão no Estado. Na cadeia de ovos, de 528 SIF's ativos, são 47 no Rio Grande do Sul, informa a ABPA.

A avicultura gaúcha exportou 686,5 mil toneladas de carne de frango no ano passado, o equivalente a 13,3% do total embarcado pelo Brasil no período. Também ficou atrás de Santa Catarina (23,28%) e do Paraná (40,76%).

A exportações de ovos do Rio Grande do Sul somaram 6,246 mil toneladas, 15,28% do total. É o quarto no ranking nacional, atrás de São Paulo (22,44%), Mato Grosso (20,72%) e Minas Gerais (18,44%).

Além de lidar com as condições climáticas adversas, os avicultores gaúchos sentem os reflexos das atuais tensões geopolíticas, afirma o executivo da Asgav. São questões que preocupam a cadeia produtiva e chegam ao produtor. O momento, acrescenta Santos, é de "análise de riscos".

Ele classifica como protecionistas medidas como o tarifaço dos Estados Unidos e o veto da União Europeia às exportações de produtos brasileiros de origem animal. E acrescenta que a guerra no Oriente Médio elevou custos de produção do setor, elevando preços de combustíveis, embalagens e da logística.

"O produtor, a indústria, a cooperativa precisam planejar, rever custos de produção, alternativas de mercado, volumes de exportação, ao mesmo tempo que buscam uma prevenção e uma mitigação de riscos no ciclo produtivo", analisa.

Fonte: Globo Rural
Créditos de Imagem: Banco de Imagens ASGAV